50 anos da greve da Cobrasma: Inspiração para seguir na luta

A cidade de Osasco foi palco de um dos primeiros momentos de forte resistência à Ditadura Militar. No dia 16 de julho de 1968, dezenas de funcionários da Cobrasma (Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários) cruzaram os braços em protesto contra as péssimas condições de trabalho, o arrocho salarial, a lei antigreve e a repressão imposta pelos militares.

A ousadia de José Ibrahim, João Joaquim, Manoel Dias do Nascimento, Zequinha Barreto, entre outras dezenas de companheiros, mostrou a capacidade de luta dos trabalhadores de Osasco e marcou a história nacional.

No dia que começou a greve, Osasco – que tem o lema de Cidade Trabalho – viu os trabalhadores da Braseixos, Lonaflex, Barreto Keller, Fósforos Granada e Brown Boveri pararem em solidariedade aos companheiros da Cobrasma.

A greve durou 3 dias e contou com a adesão até de trabalhadores que não eram metalúrgicos. Toda essa mobilização, entretanto, foi duramente reprimida. Muitos foram presos, torturados e perseguidos.

Anos depois eu trabalhei na Braseixos e senti na pele a importância do movimento. Vivendo a dificuldade do chão de fábrica, percebi que os trabalhadores, com organização e união, podem conquistar suas reivindicações. No Sindicato dos Metalúrgicos e no Partido dos Trabalhadores, conheci companheiros que participaram ativamente da greve e me ensinaram muito.

O exemplo foi dado. A Greve da Cobrasma de 1968 é um marco na história de luta dos trabalhadores do Brasil. O modelo serviu de base para o surgimento de um novo tipo de sindicalismo. Dez anos depois, os metalúrgicos do ABC seguiram a mesma fórmula e também assinalaram seu nome na história da redemocratização. Entre eles estava Lula, um operário que sempre viu a Greve de Osasco como referência.

O palco da luta dos trabalhadores fechou, em outubro de 1994, todas as instalações em Osasco. As medidas desastrosas tomadas por FHC sucatearam todo o setor ferroviário no país e inviabilizaram a continuação do funcionamento da Cobrasma. A volta dessa empresa à ativa na cidade só foi possível com um governo comprometido com o progresso e com a classe trabalhadora. Em 2004, quando era presidente, Lula lançou o Plano Nacional de Revitalização de Ferrovias e veio a Osasco soar o apito que celebrou a reinauguração da Cobrasma. Tal medida gerou cerca de 1500 empregos.

Resgatar a memória desse movimento e exaltar a história de luta de centenas de trabalhadores que não se intimidaram e, literalmente, deram seu sangue pela democracia, por liberdade e mais direitos, é uma lição de vida que dá perseverança para seguir na luta.

Os trabalhadores podem muito e unidos conseguem tudo.

Ainda que vivamos num turbilhão de retrocessos e atropelos da Constituição, precisamos aprender com o passado. Viva a memória de todos os trabalhadores e as trabalhadoras que lutaram bravamente na greve da Cobrasma para que pudéssemos viver num regime democrático.

 

Emidio de Souza foi prefeito de Osasco por dois mandatos e hoje é secretário nacional de Finanças do PT

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